AGROSSILVIPASTORIL: Integração da Lavoura, pecuária e Floresta

Escrito por: PEDRO FRANCIO FILHO
Engenheiro Agrônomo

A diversificação rural tem chamado atenção de muitos agropecuaristas, devido à instabilidade no campo. Em diversas regiões do Brasil, encontramos produtores insatisfeitos com os resultados dos modelos convencionais de produção, com preços inviáveis ou injustos, além das intempéries ocorridas com muita frequência. Por isso, perante os problemas enfrentados no campo nesses últimos anos, alguns termos atrativos têm sido muito utilizados, como, por exemplo, a otimização da propriedade rural, os modelos modernos de gestão, sistemas integrados de produção, aproveitamento de todos os metros quadrados da área, alternativas de produção e muitos outros. Desta forma, o cultivo de florestas, integrado com outras atividades, sejam agrícolas ou de pecuária, torna-se uma das melhores alternativas como complemento de renda com resultados fantásticos, principalmente pela elasticidade de adaptação em qualquer região do país.

Com base nisso, os sistemas agroflorestais (SAF´s) se encaixam perfeitamente pela necessidade de mudança e produção sustentável. Estes se dividem em 3 sistemas: silvipastoris (florestas com pastagens), silviagrícolas (florestas com agricultura) e agrossilvipastoris (florestas com agricultura e pecuária simultânea ou sequencial). Na integração lavoura / pecuária / floresta, a distribuição de mão de obra é mais uniforme durante o ano, apresentando uma melhoria das condições de vida promovida pela diversidade de produção, pois diminui os riscos e incertezas do mercado. Já as árvores do sistema assumem outra função: agir como quebra-vento, mantendo a umidade do solo, aumentando a fixação de nutrientes, restaurando as propriedades químicas, físicas e microbiológicas do solo, melhorando a qualidade da cultura agrícola ou pasto. Além da exploração racional dos recursos disponíveis, o sistema aumenta a renda do agropecuarista, resultando em uma maior estabilidade econômica e assegurando às futuras gerações a sucessão da atividade no campo.

A maioria dos produtores é imediatista, tentando realizar atividades com tamanha efetividade do tempo, sempre pensando nos anos futuros. O planejamento da área, como uma empresa rural, com a introdução do componente florestal, terá rendimentos a curto prazo com a agricultura e pecuária; a médio prazo com o desbaste da madeira, a colheita de produtos florestais não madeiráveis, além dos resultados da integração como bem-estar animal, umidade, produtividade, ciclagem de nutrientes, dentre inúmeros outros; e a longo prazo com o corte raso das árvores, utilizando a madeira com alto valor agregado para serraria, móveis, construção civil, tratamento em autoclave, laminação e processo.

Contudo, existem espécies compatíveis para cada realidade, desde o solo, clima, até a finalidade a que será destinada essa madeira. A escolha deverá ser realizada no planejamento, pois são muitas as variedades de clones e sementes disponíveis no mercado. Cada caso deve ser projetado no local, pois não existe um padrão de sistema, e dezenas de fatores podem influenciar no ambiente. Portanto, não existe “receita de bolo” para esta integração.

O sistema agrossilvipastoril tem otimizado a exploração econômica do setor agropecuário, e não há nada que desabone a utilização da integração. Os resultados vão desde 30% de aumento na produtividade do leite, e podem até duplicar o ganho de peso diário dos animais dependendo da prática adotada e do manejo utilizado. Além disso, temos a floresta para ser explorada ou cortada após um período maior, o que pode ser considerado como uma poupança florestal.

Porém, é importante ressaltar que para colher resultados promissores, de alta produtividade, precisamos equilibrar os solos no sistema. Deve ser realizada a amostragem planejada para cada talhão, coleta estratificada dos solos em profundidade, análises completas, laboratório idôneo, e recomendação de equilíbrio das cargas do solo para cada região do país.

Estes são apenas alguns dos infinitos benefícios resultantes da integração, pois uma imensa quantidade de espécies florestais (exóticas e nativas) pode ser utilizada, em diversos arranjos espaciais, delineados de acordo com cada realidade, tipo de solo, clima, temperatura e localização. Seja para a pequena, média ou grande propriedade, todos podem aderir ao sistema agrossilvipastoril, sem restrições. Temos esta tecnologia fantástica para ser utilizada a favor do homem do campo, basta coletar as informações adequadas, planejar bem a área e colher excelentes resultados ambientais, sociais e econômicos.

Fonte: Portal do Refloretamento

  • Ronaldo Nogueira

    Gostaria de compartilhar minha observação e interesse em abordarmos junto aspectos relacionados ao seguinte tema: Sistemas Agrossilvopastoril – Peculiaridades do Projeto Administrativo.

    Parabéns pelo excelente artigo!

    Att.

    Ronaldo Nogueira de Paula
    [email protected]