Estiagem e reflorestamento: realidades pouco convergentes

A falta de chuvas afeta atividades ligadas à recuperação de matas e alerta entidade

Estiagem

Espécies nativas na sede da Flora Tietê

O período de secas no país preocupa brasileiros de todos os setores, principalmente aqueles ligados à agricultura e ao reflorestamento. Exemplo disso é o caso da Flora Tietê, ONG de Penápolis, interior de São Paulo, que no ano de 2012 destinou para plantio mais de um milhão de mudas. Segundo dados da entidade, estes números poderiam ser ainda melhores caso a condição pluviométrica fosse favorável. As chuvas mal distribuídas durante o ano passado afetaram diretamente a coleta de sementes e crescimento das mudas. Na região de Penápolis, dos 1.544.0 mm de chuvas em 2012, apenas no mês de janeiro choveu 316.0 mm, sendo que de junho a setembro não houve qualquer precipitação de chuvas.

 Em 2013, nos meses de janeiro, fevereiro e março choveu 128 mm, 162mm e 208 mm, respectivamente, o que indicaria uma melhor distribuição de chuvas durante o ano. Porém, de abril até o momento, as chuvas foram de pouca incidência e a tendência é que o período de estiagem permaneça. Para o engenheiro florestal da Flora Tietê, Fernando Buzetto, a maior dificuldade para a realização de reflorestamento em época de seca é o controle da irrigação necessária para a sobrevivência das mudas. “As irrigações acontecem cerca de duas a três vezes por semana, o que gera maiores custos e trabalho. Mesmo com a intensificação nas irrigações, as plantas não se desenvolvem tanto quanto em época de chuvas”, explica.

 Mesmo o período de seca sendo considerado prejudicial, principalmente durante a coleta de sementes, Fernando destaca uma vantagem. “Em época sem chuvas, as plantas daninhas como a braquiária e o colonião também não se desenvolvem tão rapidamente, então o controle do mato-competição é facilitado. As plantas daninhas, juntamente com as formigas, são os maiores vilões do reflorestamento”, conclui.

 Por outro lado, a produção de mudas dentro do viveiro não sofre interferência com a falta das chuvas, uma vez que a irrigação é controlada. No viveiro, os fatores que determinam o desenvolvimento das plantas são a temperatura e a quantidade de iluminação, mais incidente durante o verão.

 

A FLORA TIETÊ

A Flora Tietê atua em todo o Estado de São Paulo e conta com dois viveiros de mudas, localizados nos municípios de Penápolis e São José do Rio Preto. Já foram plantadas mais de 31 milhões de mudas viáveis – mudas que se transformaram em árvores de 130 espécies diferentes, todas nativas do Brasil – o que garantiu um dos recordes da organização. Entre as espécies produzidas, muitas estão em risco de extinção, como por exemplo: Pau-brasil, Mogno, Cedro-rosa, Jequitibá-rosa e Jequitibá-branco. As mudas de espécies nativas produzidas são utilizadas na recuperação de matas ciliares, na manutenção de fragmentos florestais e em projetos de repovoamento de áreas degradadas. Em conjunto, os dois viveiros de mudas são capazes de produzir quatro milhões de mudas por ano, o que torna a FLORA TIETÊ um dos maiores viveiros particulares do Estado de São Paulo.

Além de tudo isso, a FLORA TIETÊ fundou há 9 anos o Parque de Educação Ambiental – PARBI, que visa educar através de um parque temático situado em sua sede na cidade de Penápolis-SP. Com visitas escolares, de associações e do público em geral, busca a conscientização ambiental de crianças e adultos na formação de sua cidadania, com o objetivo de garantir uma melhor qualidade de vida para a população. O PARBI já recebeu, desde sua fundação, mais de 35.000 crianças cadastradas em livros de visitas, de escolas públicas e privadas da cidade e região.

Assessoria de Imprensa